quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Obrigada

Eu queria te agradecer. É, te agradecer. Não se espante. E, não, eu não me enganei. Eu tenho muito a te agradecer. Eu sei que eu já te xinguei muito e já desejei muito o seu mal. É algo natural quando se está ferida. Mas hoje eu queria te dizer que sou muito grata por cada uma das lágrimas que você me fez derrubar. Por todas as vezes que você me enganou e todas as vezes que você me fez sofrer. Mas, principalmente, eu sou extremamente agradecida por você não ter sido a pessoa certa para mim.

Nós tivemos nossos momentos alegres, claro. Você é uma pessoa super divertida, inteligente e uma ótima companhia. E acho que foi isso que me iludiu. Eu achei que isso era suficiente. Aliás, eu achava que era isso que importava. Eu achava que a pessoa certa era aquela que se encaixava num padrãozinho que inventávamos na nossa cabeça. Eu achava que o cara certo tinha que preencher mais de 50% dos itens da minha listinha. Mas a vida não é um formulário da internet. Não tem caixinha para dar check.


Na vida real o que importa é como a gente se sente do lado do outro e o que o outro nos faz sentir. E isso nós nunca tivemos. Tudo entre nós tinha que ser friamente calculado, tudo era muito mecânico. Eu nunca consegui me sentir à vontade ao seu lado. Mas, se eu não tivesse passado por tudo isso ao seu lado e não tivesse sofrido tanto quando nos afastamos, talvez eu nunca tivesse me dado conta do que realmente importa e do que realmente me faz feliz. Então, meu querido, obrigada por ter sido o cara errado e por ter me mostrado tudo o que não devo me preocupar e focar na hora de me relacionar com alguém. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Cansei de jogar

Sempre me disseram que para conquistar alguém eu deveria agir assim, assado, cozido, frito. Havia - rígidas - regras que deveriam ser seguidas à risca. Cada micro atitude fora das tais regras do jogo da sedução era capaz de estragar o jogo todo. Eu sempre errava. E errava feio. Ficava frustrada comigo mesmo, me sentindo uma completa incompetente. Até que eu desisti do jogo. E de todo o resto. Fiquei muito triste, desanimada e tranquei meu coração.

O tempo passou, a ferida fechou e eu tirei férias. Me dei férias de tudo mesmo. Da opinião dos outros, dos planejamentos detalhados de cada movimento, de todas as jogadas estratégicas. Saí de coração aberto por aí.

Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito a mim mesma. Finalmente eu fui eu mesma. Finalmente agi naturalmente. Finalmente me senti a vontade ao lado de alguém. E finalmente meu coração se sentiu amado e seguro. Então, de agora em diante, a minha maneira de jogar será essa. Sendo sincera, sendo eu mesma e sendo feliz. Jogos, agora, só no PlayStation.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Aquela velha ideia

E vira e mexe aquela velha ideia volta à minha cabeça. Aquela mesmo, que sempre me rondou, e talvez sempre me rondará, até que eu a decida colocar em prática. Porque não adianta, tem algumas coisas que simplesmente não saem da nossa cabeça. A gente pode crescer, trabalhar horrores, se apaixonar, se desapaixonar, engordar, emagrecer... E a bendita da ideia vai continuar lá, guardada num cantinho da nossa mente. Aí um dia, aparentemente do nada, ela dá o ar da graça novamente.

Hoje foi um dia desses. Ela veio assim, do nada. Quer dizer, não foi bem do nada, mas deixa para lá que isso já é um outro assunto. Mas dessa vez ela veio em formato de avalanche, derrubando e destruindo tudo que via pela frente. Abalando todas as estruturas e revirando tudo. Nada ficou no mesmo lugar de antes.

E talvez isso tenha sido bom. Às vezes precisamos de um chacoalhão para acordar. De algo que nos tire do prumo para perceber que estávamos trilhando o caminho errado. Tem horas, que só um tsunami é capaz de nós tirar da zona de conforto. Então, obrigada, desestruturação de hoje. Você me fez enxergar e mudar muita coisa. Você me fez agir.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Você mesmo. Eu mesma

Há mais de sete bilhões de pessoas no mundo. SE-TE BI-LHÕES. E o meu coração foi bater mais acelerado justamente por você. Você, que não tinha nada do que eu procurava, mas que era exatamente tudo que eu estava procurando. Você, que apareceu quando meu coração estava ferido, e que não precisou de nenhuma cola mágica para consertá-lo. Você só precisou ser você. E me deixar ser eu mesma. 

Eu já li sei-lá-quantos textos sobre como identificar a alma gêmea. Eu já achei – algumas vezes – que tivesse encontrado. E não, não pensei isso de você quando o conheci. Porque eu não pensei, eu só me hipnotizei. A primeira vez que te vi não teve nada de especial e, exatamente por isso, foi tão especial. Em questão de segundos eu me senti tão confortável e tudo se encaixava tão bem como nunca antes – eu acho que – havia acontecido comigo. Simplesmente me senti confortável. Tudo pareceu certo e natural. Como sempre deveria ser, mas nunca tinha sido.

Se você é a tal da minha alma gêmea? Sinceramente? Não faço a menor ideia. E isso pouco me importa. O que me interessa agora é manter esse sentimento bom, essa conexão incrível e ser feliz. O mais importante de tudo sempre foi e sempre será ser feliz. E você é capaz de me deixar absolutamente feliz sem fazer absolutamente nada. Apenas sendo você mesmo e me deixando ser eu mesma. Sem máscaras, sem receios, sem vergonhas. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Esqueci de sonhar

Eu acho que esqueci como é que se sonha. Sabe como é, né? Foram muitos sonhos frustrados, muitas coisas que eu desejei, que eu planejei, que faziam tanto sentido – e eram tão vivas! – na minha mente mas que, na prática, tiveram o rumo extremamente oposto, que eu apenas parei de sonhar. Até o ponto em que eu esqueci como se faz isso.

Mas eu já fui boa nesse negócio de sonhar. Eu tinha sonhos incríveis, grandiosos, lindos e bem coloridos. Eram daquele tipo que faziam um sorriso bem largo se abrir só de pensar neles. Daqueles que faziam os olhos brilhar quando eu os contava para alguém. Que me fazia flutuar por aí, invés de caminhar. Eles me faziam levantar da cama cantando e dançando todos os dias. Porque só de sonhar com aquilo eu já ficava feliz. Aquele tipo de felicidade que enche a alma. Tanto a minha, quanto a de quem estava por perto.

Não sei em que momento exatamente as cosias saíram do eixo. Como naqueles vídeos de efeito dominó, meus sonhos foram caindo, um a um. Talvez eu tenha me concentrado muito em sonhar e pouco em correr atrás para os realizar. Ou talvez eu tenha deixado a minha felicidade transparecer demais, e isso tenha incomodado a algumas pessoas, que acabaram por contribuir com o fim de um sonho aqui, outro lá.

Enfim, meus sonhos antigos foram desmantelados, e eu não consigo sonhar novos. Me sinto perdida, sem rumo, sem um chão firme para pisar – talvez porque tenha flutuado demais. E me sinto velha demais para sonhar. Isso é coisa de menina, que acredita em contos de fadas. Mas aí vem uma vozinha lá de dentro e sussurra no meu ouvido: você só precisa de novos sonhos, menina, você sempre foi muito boa nisso. E lá vou eu tentar me lembrar de como se faz para sonhar mais uma vez...

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Felicidade incomoda

Sempre ouvi dizer que a felicidade dos outros incomoda. Mas nunca dei muita importância para isso. Achava que era só uma frase pronta, daquelas bem clichês, que viram posts / indiretas nas redes sociais. Achava que só desejava o nosso mal e só nos invejava quem não era nosso amigo. Na minha cabeça, amigo de verdade fica feliz pela felicidade do outro.

E eu adorava compartilhar a minha felicidade com todo mundo. Eu tinha um sorriso fácil no rosto, talvez até meio bobo. Eu cantarolava pelos quatro cantos. E eu falava sobre a minha felicidade com todo mundo. Eu acreditava que falar de felicidade era uma maneira de a propagar.

Mas, infelizmente, com o tempo eu percebi que aquele clichê lá de cima, aquela frase pronta, era verdade. A felicidade alheia realmente incomoda. Ao ponto de algumas pessoas, até supostos amigos, tentarem atrapalhar. Não acredito que sejam pessoas más. Prefiro acreditar que são pessoas frustradas. Que não souberam aceitar e lidar com a felicidade do outro.

Mas isso é triste demais. Hoje eu me sinto obrigada a guardar o meu sorriso só para mim, a cantar somente no chuveiro ou no carro, quando ninguém está prestando atenção. E o que é pior, tornou meu mundo mais cinza e muito menos feliz... 

sábado, 23 de maio de 2015

Blah....

Eu estou me sentindo meio blah. Não estou sentindo mal, não tenho dores. Mas também não estou bem. Acho que não estou feliz, talvez seja isso.  Não tenho motivos para não estar feliz. Não tenho motivos para reclamar da vida. Tenho um bom emprego, dinheiro para comprar o que quero, pratico esportes - e pratico um que amo muito - regularmente, comecei um dos melhores MBAs do país. Tenho um monte de amigos, viajo e saio bastante. Entre outros mil motivos.

Mas, não sei... Falta alguma coisa. Ou muitas coisas... Acho que há pessoas que seriam capazes de matar para ter metade da vida que tenho. Mas, para mim, essa vida não parece suficiente. Eu não quero apenas o que é bom, o que é bastante, o que amo ou o que é melhor no país. Eu tenho necessidade de ter e ser o melhor do mundo, do universo. Ter ou ser menos do que isso me deixa mais do triste, me tira as forças, me deprime....

Eu sei, eu sei... Você vai dizer que é ingratidão, que eu deveria parar de reclamar de barriga cheia e agradecer a tudo que tenho e sou.  Eu faço isso, juro que faço. Mas ainda assim fica esse vazio aqui dentro, essa vontade de sair correndo, de conquistar tudo que sonhei.